Por que ozônio na indústria

O ozônio é gerado no ponto de uso e destruído logo depois de trabalhar. Ele ataca a matéria orgânica por oxidação direta e pelos radicais formados na própria decomposição. A EPA descreve três vias de ação sobre a célula: destruição da parede celular com vazamento do conteúdo celular, reação com os subprodutos radicalares da decomposição do ozônio e dano aos ácidos nucleicos. Terminada a reação, o gás volta a oxigênio. Não há tambor de químico no pátio, não há estoque, não há logística de produto perigoso.

A comparação com o cloro precisa ser feita com honestidade. Na meia-reação ácida, o ozônio tem potencial padrão de +2,07 V contra 1,358 V do cloro — cerca de 1,5 vez maior. Em meio alcalino, porém, a mesma EPA lista +1,24 V para o ozônio, abaixo do cloro. Ou seja: o ozônio não é 'mais forte' em qualquer pH, e quem afirma isso está simplificando. O parâmetro que decide em campo não é o potencial redox, é o CT — concentração multiplicada por tempo de contato.

O ganho mais defensável está nos subprodutos. A EPA registra que o ozônio não forma DBPs halogenados (TTHMs e HAA5s) ao oxidar matéria orgânica natural, mas forma uma variedade de subprodutos orgânicos e inorgânicos. E há o contrapeso: se houver brometo na água bruta, formam-se DBPs bromados, que aparentam risco maior que os não bromados. Acima de 0,10 mg/L de brometo, a própria EPA desaconselha ozônio. O bromato é o parâmetro a monitorar — 0,01 mg/L de VMP no padrão brasileiro. Some-se a isso o limite estrutural: o ozônio não mantém residual, então é desinfetante primário, nunca o único de um sistema de distribuição.

1,43 vs 104 mg·min/LCT contra Giardia

Para 3-log de cistos a 10 °C, o ozônio exige 1,43 mg·min/L; o cloro livre, 104. Cerca de 73 vezes menos CT para o mesmo resultado.

2-log com ~2,4 a 9,0 mg·min/LCryptosporidium

O cloro é praticamente inútil: 3.000 a 4.000 mg·min/L para apenas 1-log, com estudos em que nenhuma inativação prática foi observada. O ozônio atinge 2-log com CT de 2,4 a 9,0.

0 TTHM formadoSem halogenados

O ozônio não gera trihalometanos nem ácidos haloacéticos ao reagir com matéria orgânica. Forma aldeídos, cetoácidos e ácidos orgânicos — e bromato, se houver brometo.

Decompõe em oxigênio

Não há residuais nocivos a remover após a ozonização porque o ozônio se decompõe rapidamente. É por isso que ele é gerado no local: não se estoca, não se transporta.

Ação rápida

A formulação correta é a da EPA: o ozônio atinge desinfecção com menos tempo de contato e menor concentração que cloro, dióxido de cloro e monocloramina. O clichê de '3.000x mais rápido' não tem fonte primária e não é usado aqui.

0,01 mg/LBromato é o limite

Valor Máximo Permitido de 0,01 mg/L no padrão de potabilidade brasileiro, mesmo limite do MCL norte-americano. Água com brometo exige avaliação antes de qualquer projeto.

mín. 0,2 mg/L de cloro livreNão substitui o residual

No Brasil, a Portaria GM/MS nº 888/2021 determina que, usando ozônio ou UV, seja adicionado cloro ou dióxido de cloro para manter residual mínimo na distribuição e no ponto de consumo.

Potenciais de oxidação, CT, mecanismo de ação e subprodutos: US EPA, Alternative Disinfectants and Oxidants Guidance Manual (EPA 815-R-99-014, 1999), Tabelas 2-13/2-14 e seções 3.1, 3.3 e 3.4; US EPA, Wastewater Technology Fact Sheet: Ozone Disinfection (EPA 832-F-99-063, 1999); potencial do cloro: University of Rhode Island, Standard Reduction Potentials Table. Limites brasileiros: Ministério da Saúde, Portaria GM/MS nº 888/2021, Anexo XX, Arts. 30 a 33.

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