
Piscina sem cheiro de cloro
Aquele cheiro forte de piscina não é cloro: é cloramina. O cloro reage com a amônia e a ureia que entram na água pelo suor e pela urina dos banhistas e forma monocloramina, dicloramina e tricloramina. A tricloramina é volátil, sobe para o ar acima da lâmina d'água e é a principal responsável pela irritação nos olhos e nas vias respiratórias de quem nada e de quem trabalha na borda. Ou seja: quanto mais cheiro, menos limpa está a piscina — o odor é subproduto de sujeira orgânica reagindo com o químico.
Ozônio e UV atacam a causa em vez do sintoma. O UV fotolisa as cloraminas inorgânicas dentro do reator, e estudos de campo registram redução de cerca de 50% a 70% do cloro combinado na água da piscina. O ozônio trabalha um passo antes, oxidando os precursores orgânicos e convertendo compostos em formas menos reativas ao cloro, além de ser capaz de remover cloro combinado. O efeito prático é conhecido: menos cloramina na água, menos irritação, menos cheiro e menos químico despejado para compensar.
Agora a parte honesta, porque projeto bom não vive de promessa. Nem UV nem ozônio deixam residual — os dois tratam a água que passa pelo equipamento, não a que está parada no fundo da piscina. Códigos de piscina pública tratam UV e ozônio como desinfecção secundária, complementar ao residual químico, e não como substitutos dele. Em lago ornamental e piscina biológica, onde não há exigência de residual desinfetante, o conjunto pode operar como sistema principal. Em piscina tradicional, a meta realista e defensável é reduzir drasticamente o cloro e o cheiro — não fingir que ele desaparece.
Ureia, íons amônio e aminoácidos trazidos por urina e suor são os precursores mais eficientes de tricloramina. O valor-guia provisório da OMS para espécies cloradas no ar de piscinas, expresso como tricloreto de nitrogênio, é de 0,5 mg/m³.
Redução medida em campo na água da piscina com lâmpadas de baixa e de média pressão. A tricloramina é a cloramina que se degrada mais rápido sob UV.
Ao oxidar a matéria orgânica antes que ela encontre o cloro, o ozônio reduz a formação de subproduto na origem — e também remove cloro combinado já formado.
Em piscina tradicional, UV e ozônio são desinfecção secundária. O residual dentro da faixa do código continua sendo responsabilidade do desinfetante primário.
Piscina exige dispositivo de retenção para evitar retorno de água ao gerador de ozônio, que traz risco de queima do equipamento.
Cloraminas, irritação e valor-guia de tricloreto de nitrogênio, e ozônio removendo precursores e cloro combinado: WHO, Guidelines for Safe Recreational Water Environments, Vol. 2 — Swimming Pools. Redução de cloro combinado por UV: Soltermann et al., Water Research. Desinfecção secundária como suplemento, não substituto: CDC / Council for the Model Aquatic Health Code, seção 1830.
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