
Por que a água fica verde
Água verde não é sujeira: é população viva. O que você enxerga são milhões de algas unicelulares em suspensão, cada uma microscópica e isolada, se multiplicando enquanto houver as três coisas de que precisam — nutriente, luz e temperatura. O nutriente vem da ração não consumida, das fezes dos peixes, das folhas que caem, do adubo do jardim que a chuva leva para dentro do lago. O sol entrega o resto. Por isso o problema aparece rápido no verão e volta sozinho depois de qualquer limpeza manual.
Filtro mecânico não resolve alga unicelular, e isso não é defeito do filtro. Mídia mecânica retém partícula: folha, resíduo, floco, matéria em suspensão com tamanho suficiente para ficar presa. A alga verde unicelular atravessa a mídia, volta para o lago e recomeça a se reproduzir. O filtro tira massa da água, mas não interrompe o ciclo reprodutivo — e enquanto o ciclo continua, cada célula que passou refaz a população em poucos dias.
O UV ataca exatamente esse ponto. O filtro UV é um esterilizador físico: destrói o DNA das algas verdes e dos micro-organismos, impedindo a reprodução. Sem reprodução, a população colapsa por conta própria e a água clareia; a célula inativada perde estrutura e vira partícula que o filtro mecânico finalmente consegue reter. Ou seja, UV e filtragem mecânica não competem — trabalham em sequência. E o dimensionamento nunca é só volume: é volume e vazão juntos, porque vazão alta com UV fraco significa tempo de exposição insuficiente.
Não tem tamanho para ser retida por filtragem mecânica. Sai do filtro viva e volta a se reproduzir no lago.
Excesso de nitrogênio e fósforo faz algas e cianobactérias crescerem mais rápido do que o ecossistema consegue absorver. É a causa mais disseminada de água verde.
A radiação germicida de 254 nm fica junto do pico de absorção do DNA (260 nm) e forma dímeros de pirimidina, que bloqueiam as polimerases. O micro-organismo não morre queimado: fica incapaz de se multiplicar.
Referências oficiais dão 22 mJ/cm² para 4-log de Cryptosporidium e Giardia, enquanto a literatura sobre algas unicelulares mostra desintegração celular só a partir de 100–200 mJ/cm². Dimensionar UV para alga não é a mesma conta que dimensionar para bactéria.
Em estudo publicado, a maior biomassa de cianobactéria — aumento de cerca de 25% — apareceu justamente na cultura exposta a dose muito baixa de UV-C. Equipamento fraco para o volume e a vazão não é meia solução: pode ser resultado contrário.
Nutrientes e florações: US EPA, Nutrient Pollution. Mecanismo de dano ao DNA: revisão em PMC/NIH sobre irradiação germicida a 254 nm. Doses de referência: 40 CFR § 141.720(d)(1) (US EPA, LT2ESWTR). Alga e dose baixa: Phukan, Rai & Syiem (2019), Ecotoxicology and Environmental Safety; Chemosphere e Water Research sobre UV-C e Microcystis aeruginosa.
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